
Você sentiu uma região mais inchada, mole ou com sensação de líquido na barriga após a cirurgia?
Se sim, é natural que a preocupação apareça.
Neste artigo, vou explicar de forma clara o que é o seroma, como identificar os sinais de alerta, quando procurar seu cirurgião e como o acompanhamento especializado pode contribuir para uma recuperação mais segura e tranquila.
O seroma é o acúmulo de líquido seroso, uma mistura de linfa, plasma e secreções inflamatórias, no espaço criado entre os tecidos após a cirurgia.
Na abdominoplastia, esse espaço surge devido ao descolamento realizado durante o procedimento. Além disso, vasos linfáticos são lesionados temporariamente, reduzindo a capacidade de drenagem natural do organismo. Esse conjunto de fatores favorece o acúmulo de líquido na região operada.
Segundo a literatura científica, o seroma é considerado a complicação precoce mais frequente após a abdominoplastia, podendo ocorrer em até 15% dos casos.
Essa é uma das perguntas que mais ouvimos no consultório. E a resposta é: Não.
Na maioria das vezes, o seroma não significa erro cirúrgico nem perda do resultado estético.
Trata-se de uma intercorrência relativamente comum em procedimentos que envolvem grande descolamento dos tecidos.
O que realmente faz diferença é a rapidez na identificação e no tratamento adequado. Quando acompanhado precocemente, o seroma costuma apresentar boa evolução e raramente compromete o resultado final da cirurgia.
Alguns pacientes apresentam maior risco de desenvolver seroma. Entre os fatores mais associados a essa intercorrência estão o IMC elevado, grandes perdas de peso antes da cirurgia, histórico de cirurgias abdominais anteriores, tabagismo e movimentação excessiva durante o período de recuperação.
Um estudo publicado na Revista Brasileira de Cirurgia Plástica encontrou ocorrência de seroma em 17,02% dos pacientes avaliados, reforçando a importância de um acompanhamento cuidadoso durante o pós-operatório.
O edema pós-operatório costuma se apresentar de forma mais difusa, com consistência firme e melhora gradual ao longo das semanas.
Já o seroma normalmente apresenta uma localização mais definida, podendo gerar sensação de líquido ao toque, aumento progressivo de volume e desconforto na região.
Ao perceber qualquer alteração diferente da evolução esperada, é importante comunicar seu cirurgião para avaliação.
Quando não tratado adequadamente, o seroma pode favorecer fibrose secundária, infecção, necessidade de novas intervenções médicas e até mesmo o encapsulamento do líquido. A fibrose secundária ocorre porque o líquido acumulado mantém um processo inflamatório ativo, favorecendo uma deposição excessiva e desorganizada de colágeno.
Embora não seja a evolução mais comum, o líquido acumulado também pode favorecer processos infecciosos. Além disso, em alguns casos o organismo cria uma membrana ao redor da coleção líquida, formando uma cápsula que dificulta sua reabsorção natural. Quando isso acontece, o tratamento pode se tornar mais complexo e exigir novas abordagens médicas.
Quando existe acúmulo significativo de líquido, a conduta mais utilizada é a punção aspirativa realizada pelo cirurgião. Dependendo da evolução, o procedimento pode precisar ser repetido até que o organismo estabilize a produção deste líquido.
Além da avaliação médica, o acompanhamento por uma equipe habilitada é fundamental para monitorar a evolução do quadro, identificar possíveis sinais de recorrência e auxiliar na recuperação dos tecidos.
Dependendo da avaliação clínica, também pode ser necessário realizar ajustes na compressão da região por meio da cinta cirúrgica ou de contenções específicas. Esses ajustes ajudam na adesão dos tecidos e podem contribuir para reduzir o risco de novo acúmulo de líquido.
É importante destacar que a drenagem linfática não substitui a punção em casos de seroma estabelecido. Cada recurso possui sua indicação e deve ser utilizado no momento adequado.
A importância desse acompanhamento não é observada apenas na prática clínica. Um estudo conduzido por Camargo, Kasmiskal e Gemperli (2024) demonstrou que pacientes acompanhadas por profissionais habilitados apresentaram redução de até 60% na formação de seromas e 40% na incidência de hematomas quando comparadas a pacientes sem acompanhamento especializado.
Dependendo da avaliação clínica, recursos como drenagem linfática manual, linfotaping, laserterapia de baixa intensidade, ultrassom terapêutico e orientações individualizadas podem auxiliar significativamente na recuperação. Mais importante do que o recurso utilizado é a avaliação correta e a definição da melhor estratégia para cada fase da cicatrização.
No Instituto Manon, acreditamos que um bom pós-operatório vai muito além da realização de procedimentos.
Acompanhamos a evolução da paciente de forma contínua, observando sinais precoces de intercorrências, mantendo comunicação alinhada com a equipe médica e realizando os ajustes necessários ao longo da recuperação.
Além dos recursos terapêuticos indicados para cada fase da cicatrização, valorizamos o acolhimento, a orientação individualizada e a educação da paciente, porque entendemos que a segurança também nasce da informação.
Nosso objetivo é proporcionar uma recuperação mais tranquila, confortável e segura, respeitando as necessidades de cada pessoa.
Procure seu cirurgião caso perceba aumento súbito do volume abdominal, sensação crescente de líquido na região operada, febre acima de 38°C, vermelhidão importante, saída de secreção pela cicatriz ou dor progressiva fora do padrão esperado para a fase da recuperação. Na dúvida, o mais seguro é sempre buscar orientação médica.
O seroma é uma intercorrência relativamente comum após a abdominoplastia e, na maioria dos casos, possui tratamento eficaz quando identificado precocemente.
Mais importante do que se assustar ao perceber uma alteração no pós-operatório é buscar orientação profissional adequada e agir rapidamente diante dos sinais de alerta.
A combinação entre acompanhamento médico e acompanhamento especializado contribui para uma recuperação mais segura, confortável e com melhores resultados estéticos.
Se você realizou uma cirurgia plástica ou está se preparando para esse momento, contar com uma equipe experiente pode fazer toda a diferença na sua recuperação.
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Gemperli, R.; Mendes, R. R. S. Complicações em abdominoplastia. Revista Brasileira de Cirurgia Plástica, 2019.
Salari, N. et al. *The Global Prevalence of Seroma After Abdominoplasty: a systematic review and meta-analysis. Aesthetic Plastic Surgery, 2021.
Análise dos fatores de risco na formação de seroma em abdominoplastia clássica. Revista Brasileira de Cirurgia Plástica, 2018.
Camargo, Kasmiskal e Gemperli. Atuação da Fisioterapia Dermatofuncional na Prevenção de Seromas e Hematomas Pós-Abdominoplastia, 2024.
Chi, A.; Marquetti, M. G.; Dias, M. Uso do taping linfático na prevenção da formação de equimoses em abdominoplastia e lipoaspiração. Revista Brasileira de Cirurgia Plástica, 2021.